Quem Somos Quando Ninguém Está Olhando?
É no silêncio, quando a plateia desaparece, que talvez aconteça o encontro mais verdadeiro com quem somos.
Há um personagem que todos nós conhecemos muito bem: aquele que mostramos ao mundo. Ele aprende o que agrada, o que é esperado, o que merece aplausos. Sorri quando convém, silencia quando precisa e, muitas vezes, confunde aceitação com identidade.
Mas chega um momento em que a porta se fecha. O celular se cala. A plateia vai embora. E resta apenas a companhia de si mesmo.
É curioso como algumas pessoas suportam qualquer julgamento, menos o próprio silêncio. Precisam de movimento, de vozes, de tarefas, de distrações. Como se o encontro consigo pudesse revelar alguém que ainda não conhecem – ou que passaram a vida evitando conhecer.
A psicanálise nos lembra que somos constituídos pelo olhar do outro. É através dele que começamos a existir. Mas viver não pode significar permanecer eternamente dependente desse olhar. Há um tempo em que precisamos descobrir quem somos quando ninguém confirma, elogia ou critica nossa existência.
Talvez a liberdade não comece quando deixamos de nos importar com a opinião alheia. Talvez ela comece quando conseguimos permanecer, com alguma serenidade, na própria companhia.
Porque no fim, a pergunta mais importante nunca foi quem os outros pensam que somos. A pergunta que transforma é outra: quem permanece quando ninguém está olhando?
COMPANHIA NO DIVÃ - Bia Melara
Que sensações teve com o artigo?
Selecione as emoções que experimentou com este artigo
Reações dos demais leitores:
Conte-nos mais! Comente no final desta página.
Olá, deixe seu comentário para Quem Somos Quando Ninguém Está Olhando?