Já Nos Primeiros Acordes
Por que o Hino Nacional nos emociona antes mesmo da primeira palavra
Há músicas que ouvimos. Outras nos escutam por dentro...tocam nossa alma. Sempre que o Hino Nacional Brasileiro começa, acontece algo difícil de explicar. Antes mesmo da letra, os primeiros acordes já arrepiam, um nó se forma na garganta, os olhos se enchem d’água. Não é apenas uma canção. É a mais funda emoção.
Muitos hinos nacionais carregam a solenidade e o peso das guerras e das batalhas. O nosso, sem perder a imponência, parece respirar esperança. Tem força, mas também tem luz. Tem grandeza, mas conserva um calor que combina com a alma brasileira. Talvez por isso seja tão bonito de cantar, especialmente quando milhares de vozes se unem e fazem dele uma só.
A psicanálise nos ajuda a compreender esse fenômeno. A música alcança regiões da alma onde as palavras nem sempre conseguem chegar. Ela desperta lembranças, afetos e sentimentos que permaneciam adormecidos. E. quando essa música é um símbolo da nossa identidade, ela nos devolve algo precioso: a lembrança de quem somos, não como indivíduos, mas como povo.
Talvez seja por isso que em tempos de Copa, o hino pareça ainda mais emocionante. Durante alguns minutos, esquecemos o peso das notícias, das diferenças e das decepções. O que fala mais alto não é a razão, mas o afeto. Não cantamos porque o Brasil seja perfeito. Cantamos porque existe um amor que sobrevive as imperfeições.
A beleza do nosso hino talvez esteja justamente aí. Ele não toca apenas os nossos ouvidos. Toca a parte de nós que ainda se comove, que ainda sonha e que ainda acredita. E, num tempo em que tanta coisa nos endurece, descobrir que uma música ainda é capaz de nos fazer chorar talvez seja uma das mais belas formas de lembrar que continuamos profundamente humanos.
COMPANHIA NO DIVÃ - Bia Melara
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