Geografia dos Afetos

No mapa estão as ruas. Dentro de nós as histórias que fizeram delas um lugar.

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Geografia dos Afetos

No aniversário de uma cidade, costumamos lembrar sua fundação, seu crescimento, suas conquistas. Tudo isso importa. Mas existe uma geografia que nenhum mapa consegue desenhar.

É a geografia dos afetos.

Uma cidade não é apenas o lugar onde a gente mora. É o lugar onde nossa história aprende o endereço.

Há ruas que guardam a infância, esquinas onde a vida mudou de direção, praças que testemunharam encontros, despedidas, silêncios e recomeços. A cidade não é feita apenas de avenidas e construções. Ela é feita de marcas invisíveis que seus moradores deixam e das marcas que, silenciosamente, ela imprime em cada um de nós.

Ninguém mora apenas numa cidade. Depois de algum tempo, a cidade passa a morar em nós.

Porto Ferreira conhece versões de cada um de nós que talvez nem nós mesmos reconheçamos mais. Guardou nossas infâncias, assistiu aos nossos recomeços e, sem que percebêssemos foi se tornando parte daquilo que somos.

Talvez o verdadeiro mapa de uma cidade não seja feito de ruas, mas de lembranças. É nelas que descobrimos onde, de fato, pertencemos.

Há cidades que visitamos. Há cidades onde moramos. E há aquelas que, sem pedir licença, passam a morar em nós. 

Feliz aniversário, Porto Ferreira. Obrigada por fazer parte da minha geografia dos afetos.

 

COMPANHIA NO DIVÃ - Bia Melara

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