Desencontros

Para sentir-se satisfeito você precisa encontrar-se consigo mesmo.

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Desencontros

A vida é a arte dos encontros, embora haja tantos desencontros pela vida

Toda vez que pensamos em desencontros imaginamos situações nas quais as coisas ou pessoas estão no lugar errado ou na hora errada...

Assistimos a isso constantemente de uma forma física e concreta. Mas penso que o pior dos desencontros é aquele que não podemos ver. O pior dos desencontros é aquele que só pode ser sentido, pois acontece internamente, dentro das pessoas: é o desencontro de si mesmo.

Os principais sintomas deste desencontro são: a sensação de sempre estar insatisfeito no lugar em que se encontra, ou estar em um lugar querendo ou sentindo que precisava estar em outro lugar.

Na verdade a insatisfação é consigo mesmo, por isso a busca incessante nunca leva ao “paraíso perdido”.

Se está trabalhando o paraíso seria estar descansando. Quando vai descansar não consegue porque está pensando nas obrigações para com os filhos. Quando está com os filhos não consegue viver realmente este momento porque está preocupado com a rotina da casa. Quando está em casa gostaria de estar passeando e quando vai passear sofre porque teria que estudar. Quando vai estudar não pode se concentrar, pois pensa que deveria se dedicar um pouco mais a parceira ou parceiro. Quando resolve se dedicar a este, pensa em todo o trabalho por fazer, e nas contas para pagar... E quando vai trabalhar já está esgotado...  

Que desencontro!!!! Que insatisfação!!!!!

Que sensação horrível de pensamento fora do lugar, de tudo fora do lugar!!!!!

Algo que faz com que você queira fazer tudo e não consiga fazer nada...

Chico Buarque fala muito bem sobre esse sofrimento em seu “Soneto”:


Por que me descobriste no abandono

Com que tortura me arrancaste um beijo

Por que me incendiaste de desejo

Quando eu estava bem morta de sono


Com que mentira abriste meu segredo

De que romance antigo me roubaste

Com que raio de luz me iluminaste

Quando eu estava bem morta de medo


Por que não me deixaste adormecida

E me indicaste o mar, com que navio

E me deixaste só, com que saída


Por que desceste ao meu porão sombrio

Com que direito me ensinaste a vida

Quando eu estava bem morta de frio.


Nesses momentos é hora de parar, olhar para dentro de si e arrumar essas bagunças, colocar as coisas em seus devidos lugares.

Quando o desencontro ocorre no sentido físico, por exemplo, quando estamos procurando um lugar que não encontramos, precisamos parar e nos localizar, conversar com alguém ou buscar mapas. Com o emocional, o desencontro interno, é a mesma coisa.

Se você já percebeu que está perdido é um bom sinal. Não precisa mais ficar rodando... rodando...

Será que não está na hora de parar e olhar seus mapas e bússolas internos? Saber para onde realmente está indo e para fazer exatamente o quê.

Encontrar-se consigo mesmo é o encontro mais gostoso que pode haver.

A psicanálise também é a arte dos encontros. Se você estiver preparado esta pode ser a melhor viagem de sua vida!!!!!!

COMPANHIA NO DIVÃ - Bia Melara

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