Carta aos Meus Sentimentos
Pelo direito de senti-los: guias que evitam minha loucura e desorientação.

Meus caros companheiros de jornada,
Hoje escrevo a vocês, não para julgar, nem para questionar, mas para reconhecer a profundidade de suas presenças. Vocês, tão variados e intensos, muitas vezes me guiam por caminhos que não escolhi conscientemente, mas que me ensinam mais do que qualquer estrada reta e previsível.
Vocês são meu guia, meu pulsar, meu respirar profundo, o sussurro no silêncio e o grito na tempestade. São vocês que me lembram que estou vivo, ainda que, por vezes, a vida pese mais do que eu esperava carregar.
À alegria, agradeço por ser luz, por fazer morada nos pequenos momentos que talvez passassem despercebidos sem sua intervenção. Você é a risada solta, o brilho nos olhos e o calor no peito que insiste em acreditar.
Ao medo, devo a consciência da fragilidade. Por vezes, o encarei como inimigo, mas hoje o vejo como um guardião. Você me alerta, me protege e, quando o ouço com sabedoria, ensina-me a crescer.
À tristeza, companheira fiel das noites mais longas, eu ofereço um abraço. Por muito tempo, tentei afastá-la, como se fosse algo indesejado, mas aprendi que, em suas lágrimas, há verdades que eu preciso aceitar e dores que clamam por cura.
À raiva, não nego o impacto. Você é fogo que arde e destrói, mas também energia que move, que rompe barreiras e exige mudanças. Aprendi que, quando canalizada com cuidado, torna-se força transformadora.
Ao amor, dedico minha maior gratidão. Você é o cerne de tudo, o alicerce onde os outros sentimentos repousam. É no amor que encontro sentido, nas suas múltiplas formas e nuances, desde o carinho que acalenta até a paixão que incendeia.
À solitude, minha paradoxal companheira, eu digo: você não me assusta mais, ao contrário fez-se minha melhor amiga. Aprendi que em seu silencio encontro meu próprio som. Você me devolve a mim mesma, e isso é mais precioso do que qualquer distração passageira.
E, por fim, essa imensidão e variedade de sentimentos que me possuem, eu os acolho como partes inseparáveis de mim. Juntos, desenhamos a dança da vida, que, embora por vezes descompassada, é única e essencial. Sem vocês, eu estaria perdida; com vocês, encontro o sentido. Que eu continue tendo sensibilidade para escutá-los, não como senhores que me comandam, mas como guias que me ensinam a viver com mais verdade.
Clamo pelo direto de sentir cada um de vocês, defendendo assim meu próprio equilíbrio. Sem vocês, eu seria desorientada, perdida em um vazio onde o sentido da vida se dissolveria.
Com aceitação e reconhecimento,
Eu.
COMPANHIA NO DIVÃ - Bia Melara
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