Carta aos Meus Medos
Entre prisões e aprendizados, a conversa que preciso ter com vocês.
Meus medos,
Quantas vezes sussurraram ao meu ouvido antes mesmo que eu pudesse entender o que diziam? Quantas noites passaram sentados à beira da minha cama, embalando pensamentos que eu preferia não ter?
Vocês já foram sombras alongando paredes, vultos que pareciam crescer à medida que minha coragem encolhia. Já foram silêncios densos, cheios de perguntas que eu não sabia responder. E, tantas vezes, foram gritos disfarçados de prudência, me fazendo acreditar que me protegiam, quando, na verdade, me aprisionavam.
Mas não vou negar: vocês me foram de grande utilidade, em muitos momentos... vocês também me ensinaram. Ensinaram-me a pisar com mais atenção, a distinguir o impulso da intuição, a perceber o que realmente importa. Houve momentos em que foram bússola, me apontando caminhos que talvez eu não tivesse escolhido sem o frio na barriga que me alertava sobre os riscos.
Ainda assim, sei que muitas vezes vocês mentiram para mim. Disseram que eu não conseguiria, que não era o bastante, que havia perigo onde só havia possibilidade. Foram muralhas onde só existiam portas. E, o maior problema foi que, eu acreditei. Dei-lhes a chave de escolhas que deveriam ser minhas.
Hoje, escrevo para dizer que estou aprendendo. Já sei que vocês têm seu valor e sua importância. Então, não quero expulsa-los de minha vida, mas também não os deixarei decidir por mim. Se quiserem caminhar ao meu lado, que venham – mas não me segurem. Se quiserem me alertar, que falem – mas não gritem. Se quiserem me ensinar, que seja com a verdade, e não com as histórias distorcidas que inventam para me manter pequena – não me paralisem.
Porque, no fim, meus medos, sei que sou maior que vocês.
E agora, é hora de seguir.
Com respeito, mas sem submissão,
Eu
COMPANHIA NO DIVÃ - Bia Melara
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